FCPorto 1 - 0 SCBraga (A crónica)
Depois de dias com poucos intervalos de sono, horas a fio a planear uma transferta histórica e a delinear tudo ao mais ínfimo pormenor, eis que chegou ao fim o jogo de uma vida, que infelizmente não pendeu para nosso lado, e tirou-nos aquilo que tanto ambicionavamos - a conquista de um troféu, à escala Europeia. Estivemos lá perto, mas a tão proclamada estrelinha da sorte não esteve do nosso lado.
Foi quase tudo perfeito. O check-in, a aglomeração de Indefectíveis, o convívio a mais belo prazer, os cânticos, a festa, as "alucinações", o cortejo, a entrada no Estádio, a exposição orgulhosa do nosso material, e por último, não menos importante, o jogo e a nossa performance. Foi de facto um momento único e prazeroso. Se há uns anos atrás imaginassemos algo idêntico, ficariamos eufóricos apenas por breves palavras. Agora, quando a dedicação e o esforço mútuo são clarividentes, é facilmente perceptível o porquê disto se ter tornado realidade.
O Braga é um misto de energia, irreverência, militância e auto-confiança. O que somos hoje é fruto de muito suor, devoção e espírito de sacrifício, enfrentando inúmeras batalhas, sobrevalorizando-se com vitórias cruciais e épicas, e encarando as adversidades olhos nos olhos, com respeito e autoridade, à imagem de um clube com valores, mística e imposição.
Infelizmente, esta final não teve lugar para todos. É compreensível a falha de muita gente, principalmente numa época em que 'crise' é palavra de ordem no nosso país. Voos e bilhetes a preços exorbitantes, impensáveis para um clube humilde, que mesmo com o crescimento que teve nos últimos anos, ainda não tem o poderio e a estaleca para fazer mover milhares ao estrangeiro (os motivos económicos são sem dúvida o ponto principal), e para pessoas que "desfrutam" de um ridículo salário mínimo a rondar os 500€. Contudo, não foi por isso que a vossa ausência foi notória. Isto porque, a falha de "centenas" foi colmatada com o esforço sobrenatural de cada um. Quando a voz parecia escassear e as cordas vocais já tilintavam, ia-se buscar força e garra lá nos confins. Quando o desgaste físico era mais do que evidente, os pensamentos recaiam em todos aqueles que dariam tudo para lá ter estado e não puderam, e com isso os níveis de agitação revolucionavam. Quando a bola não entrava (e não entrou, infelizmente) e levava tudo ao desespero, falava mais alto a vontade de triunfar e de elevar o bom nome do nosso Braga. E depois, enquanto os "outros" davam gritos de vitória, depois de mais uma noite de sucesso, os nossos, 'esquizofrénicos' pela envergadura da partida, reconheciam o esforço dos humildes pupilos e cantavam ainda com mais força pelo nome do Sporting Clube de Braga.
Posto isto, desengane-se todo aquele que julga que o nosso clube não teve um apoio à sua altura. No dia 18 de Maio, a Europa ficou boquiaberta perante a nossa vitalidade, o nosso espírito, o nosso bairrismo, a nossa irreverência e a nossa bravidão. Fomos, somos e seremos eternos Gverreiros, sempre em defesa e prol das nossas origens.
Estamos vivos, fortes, e assim continuaremos!
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